O IMPERIALISMO E A REVOLUÇÃO ÁRABE

 

13.          A Revolução Árabe tem sido um sério golpe para as grandes potências imperialistas, que por si mesmo explica o porquê todas essas potências trabalham para conter e esmagar essa Revolução. O imperialismo ocidental ( EUA, EU, Japão) dependeu da dominação do Oriente Médio por várias décadas através de numerosas ditaduras burguesas: Ao mesmo tempo em que ocasionalmente essas potências tiveram conflitos limitados com alguns governantes ( ou seja, com os vários regimes árabes em 1973 resultando no boicote do petróleo, e com Kadafi em 1986) , estes regimes asseguraram as necessidades de energia ao imperialismo ocidental com vastos suprimentos de petróleo, enquanto enchia os banco ocidentais com vastas somas de dinheiro. As grandes potências ocidentais até mesmo colaboraram muito proximamente com os denominados regimes “anti-imperialistas” como o de Assad, tanto o pai como o filho. Por exemplo, desde a primeira guerra do Líbano, a Síria nunca deu um tiro contra Israel e atualmente assegura a fronteira norte a favor do sionismo; e Assad pai até mesmo participou junto dos EUA na guerra contra o Iraque em 1991, e colaborou com o programa de tortura da CIA desde 2001. Com relação a Kadafi, seu regime foi considerado bem-vindo por Bush, Blair e Sarkozy após 2001, quando o seu regime abriu suas companhias de petróleo aos investimentos estrangeiros. E a EU dependeu das forças de repressão da Líbia em impedir os imigrantes de entrar na Europa pelo Sul, e assim como Assad, colaborou com os programas de tortura da CIA. Os imperialismos Russo e da Chinês também de maneira similar colaboraram estreitamente com várias ditaduras da região. A Rússia é o maior apoiador do regime de Assad e tem laços estreitos com o regime islamita burguês do Irã. Este último foi construído sobre os cadáveres de uma geração inteira de lutadores da liberdade que sofreram um massacre em 1990. Moscou e Pequim também estão construindo laços estreitos com o regime de al-Sisi no Egito. E a China é o principal parceiro comercial dos exportadores de petróleo do Oriente Médio.

14.          Após o imperialismo ocidental reconhecer que o avanço na região dos levantamentos populares não era possível ser detido eles tentaram conte-los procurando por colaboradores entre as lideranças dos movimentos populares. No caso da guerra civil na Líbia em 2011 eles tentaram ganhar influência entre o movimento rebelde lançando ataques aéreos limitados contra as forças de Kadafi. Sob tais circunstâncias, os revolucionários tiveram que enfrentar uma guerra em duas frentes: continuar a luta pela derrubada do regime de Kadafi enquanto ao mesmo tempo se opor aos ataques aéreos da OTAN. No final, as potências imperialistas ocidentais obtiveram somente limitado sucesso, pois as massas líbias continuam a odiar os imperialistas, como exemplo, o assassinato do embaixador americano em 2012 e a expulsão das embaixadas ocidentais em 2014.

15.          Com o objetivo de justificar suas intervenções militares no Oriente Médio e ´África, assim como seu apoio a ditaduras reacionárias, todas as potências imperialistas – desde a UE, aos US até a Rússia e China – estão fomentando o chauvinismo anti-muçulmano. A onda reacionária que se espalhou pela Europa após o ataque ao jornal racista Charlie Hebdo em janeiro de 2015 é somente a mais recente campanha que começou no começo deste século. Como socialistas, nós nos opomos fortemente a tais ataques como o feito ao racista jornal Charlie Hebdo, pelo motivo de que somente serve às classes dominantes como justificativa para uma campanha histérica anti-muçulmana, também para a mobilização do exército para aumentar a repressão interna e para justificar a que a França, a UE e os EUA façam guerra no Oriente Médio e na África. O RCIT defende os imigrantes muçulmanos contra todas as formas de opressão (ou seja, contra a prática de salários diferenciados, contra a proibição do hijab-véu, contra a discriminação policial). Nós apoiamos a resistência contra a intervenção imperialista e as ocupações tais como foram feitas no Afeganistão, Iraque, síria, Mali, África Central, etc. Nós condenamos fortemente os reformistas de esquerda ( tais como o ex-estalinista Partido da Esquerda Europeia) o qual falhou ao não se posicionar contra ás guerras imperialistas e a contra as campanhas racistas contra os imigrantes muçulmanos e inclusive se juntou às reacionárias manifestações pela “unidade nacional” em 11 de janeiro na França. Ao mesmo tempo, os socialistas devem trabalhar com as massas de imigrantes na sua luta contra a discriminação. Eles devem convocar os movimentos operários a dar apoio aos imigrantes nessas lutas. Baseados em tais posições principistas internacionalistas é possível ganhar os imigrantes no sentido de afastá-los das atuais direções islamitas pequeno-burguesas e orientá-las para uma perspectiva socialista.

16.          Um dos limitados ganhos da revolução democrática não terminada no mundo Árabe é o enfraquecimento do aparato da repressão centralizada nas fronteiras. Isto possibilita que muitos dos pobres ao sul cheguem aos ricos países na Europa Ocidental e América do Norte onde eles tentam encontrar as bases por uma vida decente. O crescente número de refugiados é o resultado da dominação imperialista e da super-exploração dos países semi-coloniais e das consequentes convulsões políticas, sociais e ecológicas, incluindo sangrentas guerras civis, as quais continuamente forçam milhares de pessoas a fugir de seus países natais todos os anos. A União Europeia imperialista transformou o continente em uma fortaleza configurada a condenar muitos refugiados à morte enquanto exploram aqueles que conseguiram entrar na UE como força de trabalho barata. Da mesma forma, a administração dos EUA construiu 1.125 quilômetros de muro de aço, com altura de 6,5 metros, com equipamentos de vigilância moderna ao longo de sua fronteira com o México.

17.          Os socialistas se opõem vigorosamente aos controles de fronteiras e lutam pela sua abertura. As portas dos estados imperialistas, cuja riqueza é baseada na super-exploração dos povos ao sul não devem ser fechadas às mesmas pessoas que são vítimas das consequências desta super-exploração! À reacionária afirmação de que “ o barco está cheio”, ou seja, de que os a UE e a América do Norte não podem suportar mais refugiados, nós respondemos: “Absurdo! Olhem aos mais ricos dos ricos: por exemplo, os trinta e cinco mais ricos cidadãos americanos possuem uma riqueza combinada de 941 bilhões de dólares. Apenas expropriem uma pequena quantidade de sua riqueza e milhões de refugiados poderão encontrar empregos e habitação. ”. Nós principalmente não denunciamos as quadrilhas de contrabando de imigrantes ilegais, mas sim os governos imperialistas. Sem o reacionário controle de fronteira da UE e dos EUA não haveria motivo para as quadrilhas traficarem pessoas! São os imperialistas que são responsáveis pelas cifras oficiais de 1.776 refugiados que morreram ou declarados desaparecidos desde o começo deste ano. Os movimentos operários, as organizações de imigrantes, e todas as organizações progressivas e democráticas nos países imperialistas devem trabalhar para destruir o regime de fronteiras e ajudar os refugiados a entrar em seus países por todos os meios possíveis.