Manifesto da África: I. Exploradores Estrangeiros - Fora da África!

 

Desde que as potências coloniais europeias entraram na África há séculos, saquearam nosso continente e escravizaram nossos povos. No passado, eles enviaram milhões de negros africanos como escravos para a América do Norte e do Sul. Atualmente, as grandes potências imperialistas e seus monopólios reprimem e exploram o nosso povo sob o disfarce da independência política formal dos países africanos. É por isso que caracterizamos esses estados capitalistas formalmente independentes como "semi-colônias" ou "neo-colônias".

 

Como resultado, os setores mais estratégicos da economia africana, como a mineração, o petróleo e as finanças, continuam dominados por monopólios capitalistas estrangeiros. Por exemplo, até 101 empresas listadas na Bolsa de Valores de Londres possuem operações de mineração na África subsaariana. Essas corporações controlam mais de US$ 1 trilhão de recursos da África com apenas cinco commodities (matérias primas) - petróleo, ouro, diamantes, carvão e platina. Além disso, esses monopólios estrangeiros comandam vastas partes das terras de África, suas concessões alcançam impressionante 1,03 milhões de quilômetros quadrados do continente. Mais de 52% de todos os bancos da África subsaariana estão em mãos estrangeiras.

 

Portanto, não é surpreendente que os monopólios imperialistas consigam colher lucros enormes da África a cada ano. Um estudo recentemente publicado dá os seguintes números: "Enquanto US$ 134 bilhões circulam dentro do continente a cada ano, predominantemente sob a forma de empréstimos, investimentos estrangeiros e ajuda; São retirados US$ 192 bilhões, principalmente em lucros feitos por empresas estrangeiras, evasão de impostos e os custos de adaptação às mudanças climáticas. O resultado é que a África sofre uma perda líquida de US$ 58 bilhões por ano. "(Health Poverty Action Briefing, julho de 2014)

 

Vemos, portanto, que, durante séculos, a África foi saqueada por causa de sua riqueza em minerais e como fonte de mão-de-obra barata. Como resultado, hoje é o continente mais pobre e atrasado. Em outras palavras, podemos dizer que "A África é pobre porque é rica".

 

Por estas razões, a CCRI apoia a exigência contra as antigas e novas potências coloniais a indenizações por durante séculos ter praticado escravidão, exploração e opressão! Denunciamos a hipocrisia das grandes Potências Ocidentais que negam às nações africanas e aos afro-americanos as reparações e nos pedem que esqueçamos as atrocidades passadas perpetuadas contra esses povos. Que contraste é tal atitude comparado às reparações que foram pagas por causa dos horríveis crimes nazistas contra o povo judeu! A vida africana vale menos?! Depois de 1994, uma falsa Comissão de Verdade e Reconciliação foi criada na "nova" África do Sul como mecanismo de cura. De fato, os assassinos brancos foram perdoados por seus crimes.

 

Tradicionalmente, nosso povo teve que sofrer com os imperialistas europeus e, desde a Segunda Guerra Mundial, também com América do Norte. Hoje, novos exploradores chegaram para se enriquecer com nosso sangue, suor e lágrimas. Em especial, este é o caso da China, a nova grande Potência Imperialista emergente e, em menor grau, com o Japão e a Índia. A China tornou-se o maior parceiro comercial da África e um dos seus três maiores investidores estrangeiros no continente. Cerca de 10.000 empresas chinesas operam em África. Elas controlam cerca de 12% de sua produção industrial total.

 

Vários políticos gananciosos, camuflando seus objetivos com uma fraseologia pseudo-socialista (como o  partido governante-CNA e o Partido Comunista stalinista na África do Sul-PCAF ou o ZANU-PF de Mugabe no Zimbábue), tentam nos vender a China como uma melhor e benéfica Grande Potência. De fato, os monopólios chineses não são melhores do que seus rivais europeus e americanos: todos estão nos sugando até secar!

 

A CCRI conclama por uma luta conjunta dos trabalhadores e das organizações populares de massas para expropriar os monopólios imperialistas e destruir todos os acordos imperialistas que impõem aos países africanos outra forma de escravidão - escravidão econômica!

 

Como resultado da nossa dependência econômica das Grandes Potências e dos seus monopólios, em nossa vida política também estamos dominados por eles. É Verdade, eles não ocupam nossa terra diretamente como fizeram na época do colonialismo. Hoje, eles controlam indiretamente o continente africano através da classe dominante local. Embora possam ocorrer conflitos ocasionais e temporários entre os imperialistas e os capitalistas africanos, estes últimos são organicamente incapazes de romper com o sistema imperialista. Isso ocorre porque nenhum mercado capitalista nacional pode existir isoladamente separado do mercado mundial e este último é dominado precisamente pelos monopólios imperialistas. O capitalismo em África existe, e só pode existir, como um amálgama (uma mistura) do capital imperialista junto com o  capital nativo africano, na qual esse último é subordinado ao primeiro.

 

A fim de controlar melhor o nosso continente, as grandes potências criam cada vez mais bases militares e intervêm diretamente ou através de governos fantoches locais: tropas francesas e alemãs foram enviadas ao Mali para derrubar a insurreição do povo tuareg em Azawad; As tropas dos EUA e da Europa atacam repetidamente e matam na Somália, assim como na Líbia; A França e os EUA operam bases militares em vários países africanos, assim como a China no Djibouti; e várias Grandes Potências enviam navios de guerra ao mar da Somália e da Líbia. Além disso, as Grandes Potências cada vez mais  enviam tropas africanas locais que operam formalmente como forças independentes, mas na realidade são soldados de infantaria a serviço do imperialismo (por exemplo, a AMISOM na Somália, a Força do Sahel G5). Na verdade, esses exemplos são apenas uma repetição do que aconteceu durante o colonialismo quando a França e a Grã-Bretanha usaram soldados africanos como bucha-de-canhão para salvar suas próprias peles.

 

A classe trabalhadora das semi-colônias deve resistir ao estabelecimento de bases militares sob o AFRICOM dos EUA. Este é um ataque à soberania das nações africanas e uma cobertura para colonizar de novo os estados africanos e proteger os interesses capitalistas das grandes potências. Nunca vamos esquecer que, no auge da recuperação de terras do Zimbábue em 2008, Tony Blair ameaçou invadir o Zimbábue usando a base aérea dos EUA em Botswana.

 

A CCRI apoia a resistência popular na Somália, no Azawad (no deserto do Saara) e outros países contra a ocupação por tropas imperialistas e seus agentes locais. Da mesma forma, pedimos o cancelamento das sanções contra o Zimbábue, que - sob o pretexto de serem dirigidas contra o regime de Mugabe - na realidade são um ataque à população! Essas sanções econômicas ilegais são de fato medidas punitivas destinadas a impedir que outros camponeses africanos sigam o exemplo zimbabuense de expropriação de terras de colonos brancos. A CCRI apoia incondicionalmente a reforma agrária no Zimbabwe - mas, ao mesmo tempo, não dá nenhum apoio político ao governo de Mugabe. Também apoiamos a crescente demanda dos sul-africanos de retomar suas terras dos colonos brancos sem indenização.

 

Outro legado do colonialismo antigo e novo são as minorias de colonos privilegiados. Tradicionalmente, vários países africanos tiveram experiências com assentamentos de colonos brancos. Mais recentemente, os colonos chineses (e, em alguns casos, também colonos da Índia) se estabeleceram no nosso continente. Geralmente, se tornam minorias privilegiadas que ajudam as Grandes Potências a explorar nosso povo. Dizemos abertamente: os colonos só podem permanecer em nosso país se aceitarem a perda de todos os privilégios e a nacionalização de suas riquezas (que eles acumularam sangrando nosso trabalho e nossa terra) e viver entre nós como iguais.

 

Enquanto as potências imperialistas não são mais capazes de levar africanos como escravos como antigamente, continuam a explorar nossas populações através da migração ao exterior. Devido a miséria no nosso continente, milhões de africanos são obrigados a migrar para a Europa e os EUA, onde são explorados como fontes de trabalho baratas (em relação aos trabalhadores nativos daquelas potências) e são oprimidos em nível nacional (ou seja, discriminados em termos de direitos de cidadania, aterrorizados pelas autoridades e pelos racistas, discriminação religiosa contra muçulmanos e outras minorias, etc.). Como resultado desta migração em massa para fora de África, os imperialistas privam nosso continente de seus trabalhadores mais cultos. Por exemplo, mais cientistas africanos vivem nos EUA hoje do que na África!

 

Sabemos que a solução para a miséria de África não é a migração, mas um futuro socialista, sem a exploração capitalista e a opressão imperialista. Ao mesmo tempo, lamentamos a Fortaleza imperialista criada pela Europa (que impede a migração ao continente europeu), que é a principal responsável pela nossa miséria e rejeitamos o direito deles limitarem a nossa liberdade de movimento! Reivindicamos acesso gratuito à Europa! Da mesma forma, rejeitamos ser usados como mão-de-obra barata e reivindicamos salários iguais e direitos de cidadania plena nos países ricos!

 

Tanto na África quanto internacionalmente, a CCRI exige:

 

* Expulsão de todas as grandes potências (EUA, China, UE, etc.) da África!

 

* Expropriação de todos os bancos e corporações imperialistas sem indenização! Pela nacionalização e centralização de todos os bancos e a

 

* Cancelamento de todas as dívidas dos países africanos! Abaixo o regime terrorista econômico do FMI e do Banco Mundial! Não a todos os tratados de "livre comércio" com as Potências Imperialistas!

 

* Expulsão das Grandes Potências do solo africano e das águas territoriais! Desmantelar todas as bases militares imperialistas!

 

* Derrotar a intervenção militar das Grandes Potências e seus fantoches locais! Apoiar a resistência contra os ocupantes imperialistas no Mali e na Somália!

 

* Forçar as antigas e novas potências coloniais a pagar uma compensação por séculos de escravidão, exploração e opressão!

 

* Abolir todos os privilégios para os colonos!

 

* Nenhuma sanção contra o Zimbabwe ou qualquer outro país africano!

 

* Rejeitar os controles fronteiriços imperialistas! Abram as fronteiras! Aumentem os salários dos migrantes para os níveis de trabalhadores nativos! Igualdade total aos migrantes! Parem a opressão racial dos negros na Europa, na América Latina, nos EUA e outras partes do mundo! Parar a discriminação islamofóbica dos migrantes muçulmanos na Europa; Não a todas as perseguições baseadas na religião das minorias!