Manifesto da África: Introdução

 

Por muitos anos, os propagandistas da classe dominante nos disseram que a África teria um futuro brilhante. Na verdade, esses anos só eram brilhantes para os capitalistas. Nós, os trabalhadores e oprimidos na África, continuamos a sofrer as consequências da exploração capitalista e da opressão imperialista. 

 

Nosso continente está sangrando: a mudança climática-causada pela economia imprudente e lucrativa das corporações capitalistas nos países ricos- destrói cada vez mais a base fértil do nosso continente, levando à expansão da erosão, da desertificação, do desmatamento e, principalmente, da seca e da escassez de água. Como resultado, 300 milhões de africanos vivem em um ambiente com carência água e este número deverá aumentar drasticamente na próxima década. Do mesmo modo, o Banco Mundial estima que, até 2030, a população que vive em terras com problemas de secas deverá crescer de 58 a 74%. 

 

Nossas matérias-primas e nossas terras são saqueadas por corporações americanas, europeias e chinesas, bem como por colonos brancos, chineses e indianos, enquanto os trabalhadores africanos, jovens e camponeses pobres continuam a viver na pobreza! 

 

Devido às misérias da vida na África, não é surpreendente que quase um terço de todas as pessoas na África subsaariana (ou seja, ao sul do deserto do Saara) busque se mudar para o exterior. Embora o capitalismo tenha introduzido computadores e celulares, foi incapaz de levar as pessoas da África para fora do atraso e da pobreza. Na África subsaariana, mais de 750 milhões de pessoas, que vivem em pobreza extrema (ou seja, que ganham menos de 1 dólar por dia), dependem da agricultura de subsistência como principal fonte de alimentos e renda. Nas minas e nas indústrias de petróleo e gás, as grandes corporações super-exploram nossos trabalhadores - entre eles muitas crianças - até o esgotamento físico e a morte! 

 

Esta situação não deve e não pode melhorar, pois as grandes empresas e as terras estão nas mãos dos capitalistas - uma classe que, pela sua própria natureza, só pode se tornar rica à custa da esmagadora maioria, da classe trabalhadora e dos camponeses pobres. 

 

Como o capitalismo entrou em um período histórico de decadência desde 2008, a pobreza, as guerras e as catástrofes climáticas aumentarão inevitavelmente, até que a classe trabalhadora e oprimida se levante e derrube este sistema em todo o globo. Sob as condições de capitalismo em declínio, a classe dominante em todo o mundo está acelerando incansavelmente seus ataques contra os trabalhadores e os pobres. As Grandes Potências imperialistas do Ocidente e do Oriente (EUA, UE, Rússia, China, Japão), cuja rivalidade mútua se intensificam constantemente, estão aterrorizando os povos do mundo semi-colonial, tanto militar como economicamente por meio da super-exploração. 

 

A Corrente Comunista Revolucionária Internacional (CCRI) declara que a liberdade econômica e o poder político só podem ser alcançados se a classe trabalhadora de um país, em aliança com os camponeses pobres, derrubar a classe dominante, expulsar os imperialistas estrangeiros e abrir o caminho para o socialismo - primeiro em seu próprio país, então em toda a África e, finalmente, internacionalmente! 

 

Confirmando com base em seus manifestos programáticos de 2012 e 2016, assim como suas Teses sobre Capitalismo e Luta de Classe na África Negra (2017), a CCRI divulga esse Manifesto aos combatentes militantes da classe trabalhadora africana, aos jovens e oprimidos. Convocamos todos os revolucionários a se unirem e organizar a luta internacional pela revolução socialista e a libertação da humanidade!