Manifesto da África: VII. Por uma Frente Única de Luta! Superar a Crise da Liderança - Construir um Partido Revolucionário em Nível Nacional  e Internacional!

 

Muitas vezes, os trabalhadores africanos, jovens e oprimidos demonstraram o maior heroísmo na luta contra a exploração e a opressão. Mas eles sofrem - como seus irmãos e irmãs em todos os outros continentes - da terrível crise de liderança.

 

Basta ver o que aconteceu com aqueles que tomaram o poder para libertar nossos países! Eles se tornaram ditadores se agarrando à riqueza e privilégios para si e para o seu clã! Eles se tornaram lacaios de poderes imperialistas antigos e / ou novos como os EUA, a UE ou a China! Esta é a verdadeira natureza da liderança do CNA na África do Sul, de Mugabe no Zimbábue, de Kabila na RDC, de Gaddafi na Líbia, etc.

 

Os chamados "marxistas" como o Partido Comunista da África do Sul são um exemplo semelhante de uma liderança que traiu a classe trabalhadora e atua como administrador da classe capitalista, com ministros em posições no governo desde 1994 e como servos do imperialismo chinês. Nunca esqueceremos quando este governo atacou os heroicos mineiros de Marikana em agosto de 2012 e encorajou a polícia a esmagar o levante dos trabalhadores!

 

Em comparação com esses antigos traidores, novas forças como o Economic Freedom Fighters (Lutadores pela Liberdade Econômica) de Julius Malema (EFF) na África do Sul parecem alternativas novas e saudáveis. É verdade que o EFF se manifesta com milhares de lutadores dedicados por uma causa justa que, de fato, pode desempenhar um papel importante na luta de libertação. Mas, infelizmente, a liderança do EFF está seguindo um programa populista pequeno-burguês que está orientado a se tornar parte do jogo parlamentar capitalista. Para obter posições, os líderes do EFF, que estão lutando contra o capital do monopólio branco em palavras, estão realmente colaborando com a Aliança Democrática, ou seja, o partido tradicional do capital do monopólio branco! Da mesma forma, enquanto o programa do EFF fala sobre o socialismo, ele pede apoio para homens de negócios (capitalistas) negros, que é um inimigo do trabalhador negro.

 

Entre os piores exemplos de erros existem o Boko Haram na Nigéria e o Estado Islâmico / Daesh em geral. Enquanto fingem ser opositores radicais da classe dominante, eles de fato dirigem sua luta não contra os opressores, mas contra civis inocentes. Eles são um câncer que deve ser eliminado por todas as forças de libertação autênticas.

 

Isso não significa que defendamos a sectária ausência das lutas populares que ocorrem sob lideranças erradas. Isso seria uma tolice doutrinária. A CCRI conclama a uma frente única de luta composta por todas as organizações de massa dos trabalhadores e oprimidos. No entanto, os revolucionários se reservam o direito de criticar essas lideranças equivocadas pequeno-burguesas quando falham na luta.

 

Pelo mesmo motivo, é necessário trabalhar dentro das organizações de massas, mesmo sendo lideradas por lideranças burocráticas em vez de criar novos sindicatos ou organizações camponesas que, no entanto, permaneceriam isolados das massas. Os revolucionários devem trabalhar dentro dessas organizações, mas construir suas próprias frações. Deve-se apoiar os esforços para construir movimentos de oposição de base dentro de sindicatos e organizações similares, a fim de desafiar e, finalmente, substituir a burocracia corrupta e privilegiada.

 

No entanto, a tarefa mais importante dos marxistas é a criação de partidos revolucionários em todos os países africanos como parte da luta para construir um partido revolucionário internacional. Tal partido deve basear-se em um programa revolucionário na tradição de Marx, Engels, Lenin e Trotsky. Da mesma forma, ele se inspirará no espírito de auto-sacrifício e dedicação dos heróis da luta pela liberdade da África como Kwame Nkrumah, Patrice Lumumba e Thomas Sankara! Terá a tarefa de organizar a classe trabalhadora para a luta pelo poder, ou seja, derrubar a burguesia e construir uma república de trabalhadores e camponeses.

 

Não existe um caminho nacionalista para a construção de um partido mundial, existe apenas um caminho internacionalista. Assim, um verdadeiro partido revolucionário, bem como a organização pré-partidária, deve, desde o início, existir como um partido internacionalista. Sem uma organização internacional, a centralização nacional e, finalmente, os desvios nacionalistas são inevitáveis.

 

Na maioria dos países africanos, não há nenhum partido revolucionário de trabalhadores, nem mesmo um reformista, ou seja, partido burguês de trabalhadores. Nos casos em que tal partido existe (por exemplo, o Partido Comunista-PC sul-africano), tornou-se tão degenerado que é repelido pela vanguarda dos trabalhadores, como testemunhamos no período pós-Marikana. Em tais situações - quando a classe trabalhadora não tem um partido independente, mas ao mesmo tempo ainda não entende a necessidade de criar um partido revolucionário - os revolucionários reivindicam pela formação de um novo Partido de Trabalhadores (ou "Partido Trabalhista"), fundado pelas organizações de vanguarda e de massas dos trabalhadores. Este partido deve defender um programa de ação que descreva o caminho para que a classe trabalhadora alcance o poder pelas suas próprias mãos, bem como desenvolver a democracia do partido internamente para evitar a degeneração burocrática. Caso contrário, existe um perigo real de que tal partido degenerará em uma força reformista (como foi o destino do MDC zimbabuense no início dos anos 2000, por exemplo).

 

A CCRI está plenamente consciente de que a criação de partidos revolucionários - nacional e internacionalmente - não é uma tarefa simples, dada a insuficiência em números dos revolucionários e suas insuficientes raízes na classe trabalhadora. Mas grandes realizações na história da humanidade nunca são presentes caídos do céu, mas sim são alcançadas por um trabalho rígido e sistemático. Formar uma unidade internacional organizada de trabalhadores revolucionários determinados e oprimidos, com base em um programa comum e uma compreensão conjunta de seus métodos práticos e organizacionais, é o pré-requisito mais importante para a construção de uma nova e revolucionária Internacional. Será fundamental na conquista de setores adicionais e mais amplos da vanguarda dos trabalhadores em uma fase posterior. Este é o projeto ao qual a CCRI está dedicada. Chamamos os revolucionários africanos a se juntarem a nós para avançar nesta luta!

 

Queremos nos unir com todos os que podem se identificar com o programa apresentado aqui e que estão dispostos a dedicar seriamente suas vidas à luta de libertação da classe trabalhadora e oprimidas. Não temos tempo para perder. Temos tudo a ganhar. Nossa luta contra a classe dominante não será fácil nem a curto prazo. Vai demorar anos e exigirá grandes sacrifícios de todos nós. Mas pode haver um propósito mais elevado para a vida de alguém do que dedicar a luta pela emancipação universal; para salvar o futuro da humanidade?!

 

Chamamos os revolucionários africanos para que se unam em torno deste Manifesto e das seguintes palavras de ordem:

 

* Exploradores estrangeiros - fora da África! Expulsar todas as grandes potências (EUA, China, UE, etc.) da África!

 

* A riqueza para aqueles que a constroem! Liberdade econômica agora! Nacionalização de todas as grandes corporações e bancos sob controle dos trabalhadores! Nacionalização de grandes propriedades para que os camponeses pobres possam decidir como é melhor usar essas terras! Abaixo com todas as formas de poluição do meio ambiente e das pessoas por corporações imperialistas! Proteger a saúde e o futuro das populações!

 

* Abaixo com as ditaduras capitalistas e pseudo-democracias corrompidas! Por uma Assembleia Constituinte Revolucionária!

 

* Por um governo dos trabalhadores e pobres camponeses! Por uma Revolução Socialista!

 

* Pela unidade pan-africana! Pelos Estados Unidos Socialistas da África!

 

Não há futuro sem o socialismo! Não há socialismo sem revolução! Não há revolução sem um partido revolucionário!

 

Vida longa à revolução! Aluta Continua!