O imperialismo, a Opressão das Mulheres e a Luta pela Libertação (Parte 1)

 

1. As mulheres são o sexo mais fraco, mas apenas na hierarquia de uma sociedade de classe.

 

A opressão das mulheres é uma parte orgânica do capitalismo, da mesma forma como ocorreu em sociedades de classes anteriores. Todas as classes dominantes da história humana utilizaram a opressão das mulheres para manter seu poder e enfraquecer todas as classes oprimidas. As mulheres não estão agora, nem foram consideradas iguais no passado. Nós fomos aquelas que são exploradas e oprimidas em todos os campos da vida. Como os homens, sofremos racismo, opressão nacional e exploração enquanto mulheres trabalhadoras. Mas, além de todas essas formas de discriminação existentes, somos automaticamente colocadas em desvantagem na sociedade capitalista devido ao nosso sexo. Esta discriminação não está baseada em quaisquer diferenças biológicas ou mentais entre homens e mulheres, mas como sendo o resultado do surgimento da propriedade privada como meio de produção (dominado por homens), de forma concomitante a designação para as mulheres como principal responsável pelo trabalho doméstico e assistência à infância, e as sociedades baseadas em classes resultantes dessas situações. Portanto, em contraste com as mulheres da classe dominante, nós, como mulheres da classe trabalhadora, junto com nossas irmãs pobres rurais e urbanas, não esperamos alcançar a igualdade com os homens da classe dominante dentro do sistema capitalista existente. Não, nós queremos erradicar a sociedade baseada em classes como um todo e estabelecer uma sociedade socialista, uma sociedade sem exploração e sem opressão.

 

2. A sociedade de classe de hoje é o capitalismo, "a época da burguesia", como o famoso revolucionário Karl Marx a caracterizou.

 

O atual sistema de classes, o capitalismo, tem dois campos principais: a classe dominante (capitalistas / burguesia) e a classe oprimida criada pelo capitalismo, ou seja, a classe trabalhadora

 

 (o proletariado). O último é o único em toda a história da humanidade, pois é a classe que pode abrir caminho para uma sociedade futura sem exploração e sem opressão. Porque isto é assim? Primeiro, a classe trabalhadora é a fonte da criação de toda a riqueza. Em segundo lugar, o proletariado não possui nenhum meio de produção além da própria força de trabalho. Nisto ela é diferente da classe capitalista, que não cria riqueza, mas que possui e gerencia os meios de produção. Na ordem mundial atual, são os capitalistas que controlam os governos e constituem a classe dominante. Em terceiro lugar, a classe trabalhadora é uma classe coletiva e sua luta não levará a uma nova sociedade baseada na propriedade privada, pelo contrário será baseada na produção socializada. Assim, a luta da classe trabalhadora é a condição prévia para a criação de uma sociedade sem classes em que a riqueza atenda os interesses de todas as pessoas. Mas, em contraste com o capitalismo, e, por definição, uma sociedade sem classes não terá classe ou camada que viva do trabalho dos outros. O trabalho e a riqueza serão compartilhados igualmente por todas as pessoas, criando assim uma sociedade de liberdade, paz e igualdade. Tal sociedade é chamada de socialismo. Nós, como mulheres, constituímos metade da classe trabalhadora e representamos pelo menos metade dos pobres rurais e urbanos do mundo. Juntos, temos o maior interesse em esmagar a ordem mundial atual. A libertação do nosso sexo está intrinsecamente ligada à luta pelo socialismo.

 

3. Sob o capitalismo, não pode haver uma unidade autêntica de todas as mulheres, porque as mulheres da classe dominante nos oprimem e exploram, assim como os homens o fazem.

 

Nossa luta é contra os opressores de ambos os sexos. Devemos lutar contra a classe dominante ao lado de nossos irmãos de classe. Devemos combater o atraso e o sexismo dentro das fileiras da nossa própria classe junto com nossos irmãos de classe progressistas. E devemos lutar contra o equívoco de uma unidade de classe entre todas as mulheres. Em vez disso, lutamos unidos com nossos irmãos de classe pela libertação das mulheres, juntamente com todas as outras pessoas oprimidas e para o futuro da raça humana. Todas essas tarefas estão intrinsecamente ligadas entre si. Como o grande revolucionário Friedrich Engels formulou em 1888: "(...) hoje em dia, chegou-se a uma etapa onde a classe explorada e oprimida - o proletariado - não pode alcançar a sua emancipação do domínio da classe exploradora e dominante - a burguesia - sem, ao mesmo tempo, e de uma vez por todas, emancipar a sociedade em geral de toda exploração, opressão, distinção de classe e lutas de classe ".

 

4. Enquanto que as classes oprimidas devem estar unidas em sua tarefa histórica para esmagar o capitalismo, independentemente do sexo, idade e nacionalidade, reconhecidamente há diferenças nas suas respectivas experiências pessoais e coletivas de opressão e exploração.

 

Por exemplo, os imigrantes, além da opressão capitalista, também enfrentam o racismo; as mulheres se defrontam com o sexismo; e os povos dos países semicoloniais (os do continente africano, da América Latina, da Ásia, com exceção da China, do Japão e da Coréia do Sul, bem como da Europa Oriental) devem enfrentar a exploração imperialista. O mundo está dividido em dois grandes campos: o proletariado e a burguesia (oprimidos e opressores) - mas também está dividido em dois campos relacionados a estados-nações: os países oprimidos e os países opressores. Os países pobres do mundo são economicamente saqueados pelos países ricos, independentemente da formal independência política do primeiro. Essa exploração é uma parte integral e orgânica da última etapa do capitalismo decadente, o imperialismo. Durante o capitalismo da etapa imperialista, é crucial que aprendamos com todas as experiências de opressão, assim como de todas as lutas de resistência contra ela. As experiências de nossos irmãos e irmãs nos países oprimidos - os países semicoloniais - são, portanto, cruciais para todos nós envolvidos na luta revolucionária. Como a famosa mulher revolucionária Rosa Luxemburgo disse há um século, de agora em diante, existem apenas duas alternativas possíveis para a humanidade "socialismo ou barbárie".