O imperialismo, a opressão das mulheres e a luta pela libertação (Parte 3)

 

9. A terra deve ser dada aos camponeses pobres, com as mulheres desempenhando um papel igualitário.

 

As áreas de trabalho profissional eliminam o isolamento relativo de muitas mulheres empregadas em unidades econômicas relacionadas à família. No entanto, as exigências e os desejos de muitos camponeses pobres devem ser respeitados e cumpridos. Os camponeses pobres devem se tornar aliados dos trabalhadores das fábricas e da área de serviços afim de esmagar o capitalismo e construir uma sociedade socialista. Mais do que isso: apenas uma colaboração estreita entre os camponeses e o proletariado pode desenvolver a força econômica. Como o famoso revolucionário Leo Trotsky declarou: "É preciso explicar no campo que todos os esforços do operário para ajudar o camponês fornecendo à aldeia as máquinas agrícolas deixam de ter resultado enquanto não for estabelecido o controlo operário sobre a produção organizada. "" Mulheres revolucionárias lutam pela expropriação dos grandes proprietários de terras estrangeiros e nacionais e corporações agrícolas. Lutamos pela nacionalização da terra e pela distribuição da terra aos camponeses pobres, que devem ser daqueles que as utilizam. A distribuição da terra deve ser igual entre os homens e as mulheres do campesinato pobre, ou seja, as camponesas devem ter uma participação igual na propriedade conjunta da terra. As cooperativas dos camponeses pobres devem ser construídas de forma voluntária e de igualdade de gênero. Além disso, a venda dos terrenos deve ser proibida. A maioria das mulheres nas áreas rurais da África negra precisa andar por pelo menos 30 minutos para chegar à água. Portanto, para nós mulheres do campesinato pobre, é vital que a infraestrutura agrícola seja desenvolvida, incluindo o abastecimento de água, eletricidade, sistemas de esgoto e muito mais. Nada disso pode ser alcançado sem uma estreita colaboração com os trabalhadores proletários!

 

10. Os pobres urbanos e rurais são aliados íntimos dos trabalhadores na luta contra o imperialismo.

 

Os países semicoloniais estão em muito mal estado economicamente, porque são forçados a se tornar dependentes dos países imperialistas, que saqueiam os recursos naturais desses países e super-exploram seus habitantes. O resultado é a fome e a pobreza para a maioria das pessoas, que afetam mais as mulheres. As mulheres representam mais de metade da população mundial e contribuem com 2/3 das horas de trabalho (quando incluímos trabalho doméstico não remunerado). No entanto, recebemos apenas 10% da renda mundial e possuímos menos de 1% dos recursos. Não é de admirar que 60% dos mais pobres são mulheres. A proteção da economia nacional contra a influência imperialista é extremamente importante, pois somos levados à pobreza através da super-exploração pelos imperialistas. É a besta imperialista que explora os trabalhadores nas fábricas e, ao mesmo tempo, cria massas de pobres rurais e urbanos. Embora os pobres rurais sejam principalmente de países pobres, os pobres urbanos são "ex-trabalhadores autônomos". 20% da população urbana da América Latina, 31% no sul da Ásia e 55% na África negra vivem em favelas. No geral, isso significa que 1 em cada 8 pessoas no mundo vivem em favelas. À semelhança dos pobres rurais, os pobres urbanos têm interesse em colaborar estreitamente com a classe trabalhadora para esmagar o sistema baseado em classes. As mulheres revolucionárias defendem a organização de forças conjuntas da classe trabalhadora, com os pobres rurais e urbanos para expulsar dos países semicoloniais os imperialistas. Lutamos pela independência real dos países semicoloniais e pelo cancelamento imediato de todas as dívidas a instituições imperialistas como o FMI e o Banco Mundial. Essas instituições impõem dívidas em nossos países e, como resultado, somos forçados a viver na pobreza para que eles possam obter seus recebimentos de juros enormes! Em vez disso, defendemos que os gangasters financistas devem ser obrigados a pagar-nos cada centavo que receberam sob o regime da dívida imperialista. Além disso, os imperialistas devem pagar reparações maciças aos povos dos países pobres que foram explorados há séculos!

 

11. Massivos programas de investimento público para criar empregos através do desenvolvimento da economia, infraestrutura e sistema social, são demandas importantes para erradicar a pobreza.

 

Além disso, é vital que sejam feitos investimentos massivos para melhorar as condições de vida atuais nas favelas. No entanto, tudo isso é impossível enquanto a economia dos países semicoloniais esteja nas mãos dos imperialistas. As classes oprimidas nos países semicoloniais são as únicas que são capazes de nos livrar dos imperialistas. Enquanto, na aparência, parece que é do interesse dos capitalistas nacionais protegerem sua própria economia nacional, são, de fato, os primeiros a obedecer aos ditames imperialistas, a fim de manter sua própria riqueza e seu domínio. Eles temem com razão pela posição de sua própria classe, pois não haverá classe exploradora, nenhuma classe capitalista, sob o socialismo. Nós, como mulheres das classes oprimidas, temos o maior interesse em uma economia desenvolvida e protegida, uma forte infraestrutura e um sistema social que atenda os pobres, que sirva a maioria de nós mulheres. Queremos acabar com a pobreza. Não temos simpatia para aqueles que querem manter sua própria riqueza pessoal em um sistema que é tão dependente de nos manter pobres! Nós exigimos um sistema social que serviços públicos de alta qualidade e de assistência gratuita para crianças. Queremos acabar com o analfabetismo, já que mais de 40% das mulheres na África negra são afetadas por isso. Portanto, exigimos um sistema educacional forte, gratuito e acessível para todos, independentemente do sexo e da idade! Exigimos um sistema social que cubra todos os custos de saúde, incluindo controle de natalidade e aborto! Exigimos uma forte infraestrutura e lavanderias públicas, cafeterias e muitas mais instalações que nos aliviarão do peso do serviço doméstico! Exigimos tudo isso e muito mais, e estamos dispostos a nos organizar para lutar por essas demandas!

 

12. Queremos construir um movimento revolucionário de mulheres baseado principalmente nos países semicoloniais.

 

Embora seja a unidade de todos os trabalhadores e pobres que buscamos, respeitamos as diferentes necessidades de cada camada das classes oprimidas. À medida que enfrentamos formas adicionais de opressão que, a maioria dos homens não enfrentam, inclusive a violência sexual, queremos nos organizar em um movimento revolucionário internacional de mulheres. Esse movimento deve basear-se principalmente nos países semicoloniais. Tal movimento deve fazer parte de um partido mundial revolucionário que organiza todas as classes oprimidas e todas as camadas de oprimidos na luta conjunta pelo socialismo. Vamos provar isso novamente, de uma vez por todas: Nós, como mulheres das classes oprimidas, somos os militantes mais decididos da luta de classes!