Carta aberta: Unidade Revolucionaria na luta pela Quinta Internacional dos Trabalhadores!

Unidade Revolucionaria pela Quinta Internacional dos Trabalhadores!

Carta aberta a todos os ativistas e organizações revolucionaria.

Emitida pela Corrente Comunista Revolucionaria Internacional (CCRI), 15/05/2013, (em Inglês RCIT), www.thecommunists.net

 


Estamos vivendo em tempos tão contraditórias! O capitalismo mergulhou em sua mais profunda crise desde a década de 1930 e até mesmo os meios de comunicação burgueses admitiram que muitas das análises e previsões de Marx provaram ser verdade. Os EUA- A maior potência imperialista há mais de meio século - está prestes a perder a guerra colonial no Afeganistão depois que se viu foi forçado a deixar o Iraque em 2011. Vemos uma onda de revoluções populares que estão abalando o mundo árabe há mais de dois anos, lutas de massa militantes na Grécia, Bulgária, África do Sul e Índia, assim como a resistência heroica e bem sucedida da população palestina de Gaza contra um dos exércitos mais modernos do mundo.


Mas essas lutas heroicas das massas não resultaram em qualquer tentativa séria de levar a classe operária ao poder. Por quê? Porque as massas não estão prontas? Absurdo! As massas estão prontas, mas a luta mais heroica das massas não pode ganhar se não é dirigida por um férreo partido revolucionário de combate armado, como os bolcheviques na Rússia. Por isso, enquanto as massas estão prontas, as direções s oficiais do movimento operário, assim como a maioria dos denominados "marxistas", não estão prontas. Para ser mais exato, estas direções não podem estar prontas, pois elas estão intimamente ligadas com o capitalismo. Elas estão relacionadas com o seu domínio e orientação para a burocracia sindical, a aristocracia e intelligentsia pequeno-burguesa. Em contraste com as massas da classe trabalhadora, que realmente "não tem nada a perder a não ser suas correntes", estas camadas privilegiadas que realmente têm algo a perder com o fim do capitalismo. Aqueles que não rompem com a orientação antirrevolucionária tanto do ponto de vista teórico, programático e prático, estão politicamente presos no gueto de reformismo e do centrismo e, portanto, politicamente perdidos.


Devemos escolher um caminho diferente. Enquanto a classe operária e os oprimidos não possuírem um partido de combate revolucionário nacional e internacional não poderão ter sucesso em sua luta pela libertação. Portanto, a tarefa mais urgente no período atual é a oportuna construção dos partidos revolucionários e uma nova Quinta Internacional dos Trabalhadores. Esses novos partidos revolucionários são construídos na luta de classes e na luta contra as direções oficiais - burocratas sindicais traidores, social-democratas, stalinistas, nacionalistas pequeno-burgueses e islamistas que conscientemente ou inconscientemente enganam os trabalhadores e oprimidos.


Para fazer progressos significativos nessa tarefa, é necessária a unidade dos revolucionários em todo o mundo. Esta unidade pode alcançar a construção de uma forte organização bolchevique internacional que compartilhe de um programa comum, assim como um entendimento comum dos métodos de construção do Partido e, portanto, servir como uma formação pré-partido da Quinta Internacional dos Trabalhadores.


O CCRI chama a todos os ativistas revolucionários honestos e organizações ao redor do mundo para se juntar à luta pela verdadeira organização internacional marxista- que significa o bolchevismo aplicado às condições do século XXI. Tal organização internacional necessita de clareza teórica e prática. Deve ser baseada em uma compreensão conjunta da aplicação do programa revolucionário na questão principal da atual luta de classes internacional. Não só deve proclamar o caminho da libertação, mas também deve nomear e lutar contra todos os obstáculos. Em outras palavras, levar a luta contra as muitas forças de esquerda reformistas e centristas que desorientam e enganam a classe trabalhadora sob a bandeira do "marxismo" - Que em seu conjunto é um "marxismo" sem ponta de lança revolucionária, um marxismo convenientemente oportunista adaptado a todas as possíveis direções de classe que não trabalham (os reformistas, os populistas, os islâmicos, etc.) Ou um "marxismo", que vegeta no retiro sectário da luta de classes.

 

Clareza programática sobre os temas mais importantes na luta de classe mundial

 

A clareza e a unidade programática devem ser examinadas em função das questões mais importantes da luta de classe mundial, como o seguinte:


* Vitória da Revolução Síria: rechaçar o apoio ao regime de Assad pelos stalinistas (como KKE grego) e pelos chavistas


* Egito, Tunísia, Iêmen e Líbia: Abaixo os regimes islâmicos pró-imperialistas! Por um governo operário, aliada com os camponeses e os pobres! Nenhum bloco político frente-populista com forças burguesas (como os socialistas revolucionários de IST que apoiam eleitoralmente a Mursi e sua participação na Frente de Salvação Nacional, juntamente com Mohamed Elbaradei, Wafd, etc. no Egito ou a participação de Partidos Operários- como a antiga PCOT Hoxhaista- em Frentes Populares).


* Romper Apartheid do Estado imperialista de Israel: Por uma república democrática, palestina, multinacional, socialista, operária e camponesa do rio para o mar! Rechaço ao apoio reacionário por uma solução de dois estados proposta pelo Partido da Esquerda Europeu (ELP) ou pelo CWI. Vitória para a resistência palestina! Os marxistas devemos apoiar a luta de resistência e não falhar em nos colocar ao seu lado (como falharam a CWI, IMT, etc.). Condenar o boicote e difamação de Partidos de Esquerda (como o ELP na Alemanha) que fizeram contra a Flotilha da Liberdade para Gaza chamando-a de "antissemita". Não ao conceito menchevique de Estado democrático inferior de classe menor defendido pela LIT morenista.


* Abaixo as agressões e as guerras imperialistas no Afeganistão, Mali, Somália, Irã e Coreia do Norte: derrotar as forças imperialistas da OTAN e seus aliados locais! Defender aqueles que resistem às invasões imperialistas! Não apoio político das forças nacionalistas, islâmicas ou stalinistas! É significante para o caráter social imperialista do partido comunista francês e da Frente de Esquerda apoiar abertamente a intervenção imperialista no Mali. Muitos centristas não chamam a derrota dos invasores imperialistas e vitória militar da resistência (como fazem o CWI e o mandelista NPA).


* Pela revolução socialista contra a ditadura stalinista capitalista na China! China tornou-se uma potência imperialista. Apoiar os sindicatos e os trabalhadores independentes, bem como greves as greves nacionais de autodeterminação para o Tibete e Leste Turcomenistão! Rejeição das várias caracterizações errôneas da China como "socialista" (stalinista) ou "estado operário degenerado" (Spartaquista). Em vez de se aliar com bando imperialista, os socialistas devem se opor todos planos expansionista dos EUA, Japão e do imperialismo chinês na Ásia Oriental. Em todos os conflitos possíveis entre estas grandes potências, dizemos que o principal inimigo está em casa!


* Paquistão: Apoiar a luta dos trabalhadores e a formação de sindicatos independentes e a luta d povo Balochi pela a autodeterminação nacional! Abaixo a guerra da OTAN - Vitória da Resistência! Rechaçar a política de Frente Popular do grupo IMT / Lal Khan que de maneira oportunista se entrincheira desde várias décadas no PPP burguês. Um beco sem saída similar é a liderança do Partido Operário de Awami que se adapta às forças liberais e pró-ocidentais.


* Rússia: ¡Abaixo o régime de Putin! ¡Pela luta operária independente! Defesa dos protestos por direitos democráticos!Igualdade de direitos para os imigrantes! Autodeterminação nacional para o povo do Cáucaso! Rejeitar a negação dos estalinistas sobre o carácter imperialista de Rússia que serve como pretexto para sua adaptação social-chauvinista ao régime. Nenhum apoio político às forças liberais-burguesas que dominam os protestos democráticos contra Putin.


* África do Sul: Apoio aos mineiros militantes na sua luta por sindicatos independentes do governo traidor da ANC / CPSA! ¡Condenar o apoio das forças estalinistas mundiais ao CPS, ao NUM e aos dirigentes do COSATU!


* Abaixo a Constituição reacionária no Zimbabwe imposta pelo governo de coalizão de ZANU-PF e o MDC! ¡Por uma Assembleia Constituinte revolucionaria baseada em conselhos operários e camponeses! Não ao apoio do régime de Mugabe pelos Partidos estalinistas, muito menos à adaptação política da frente populista MDC e do grupo de Zimbabwe IST!


*Pela luta independente da classe operária na América Latina, tanto contra os governos burgueses como os de Kirchner (Argentina) e de Dilma Rousseff (Brasil), como também na Venezuela, Equador e Bolívia! Não ao apoio político pelos governos de frente popular bolivariano, mas a defesa contra golpes de Estado da direita e da intervenção imperialista! Não à aliança política com as forças da direita contra o governo do PSUV na Venezuela como estão fazendo em seu trabalho sindical Chirino e a UIT morenista! Expropriação das corporações multinacionais de Estados Unidos , da EU(União Européia) e da China! Defender a Argentina contra o imperialismo britânico e expulsar a Grã- Bretanha das Malvinas! Não ao apoio político ao bolivarianismo (por exemplo, o estalinismo e a IMT de Alan Woods), não ao fracasso centrista de opor-se ao imperialismo (por exemplo, o apoio à ocupação britânica das Malvinas pela CWI e a IMT!).


* Europa: Abaixo a política de austeridade reacionária! Cancelamento de todas as dívidas! Expropriação de todos os bancos e corporações! Não ao apoio reformista de governos capitalistas (PCF / Frente de Esquerda de Hollande na França, AKEL de Chipre)! Nenhuma aliança com partidos nacionalistas de direita, como a da “frente” de SYRIZA com os gregos independentes (ANEL). Em lugar de greves gerais simbólicas contra a política de austeridade, greves gerais por tempo indeterminado em nível nacional e em âmbito europeu para defender o emprego, os salários e as poupanças! Nenhuma confiança na burocracia sindical, comitês operários de base independentes e conselhos de ação de luta! Em lugar da estratégia ilusória do SYRIZA e da ELP de reformar a União Europeia ou do estalinista "Caminho nacionalista fora da UE”, esmagar a UE imperialista mediante a revolução socialista! ¡Pelos Estados Unidos Socialistas da Europa! Nos países semicoloniais como Grécia, Chipre e Bulgária: Apoio às lutas operárias e populares contra o saque imperialista! ¡Fora a UE e lutar por um governo operário!


* Trabalhadores, afro-americanos e imigrantes nos Estados Unidos: Lutar pela independência dos sindicatos, das organizações de imigrantes e negros com relação ao Partido Democrata! Não ao apoio do Partido Comunista de E.U.A ao Partido Democrata!


* Apoio à luta pela liberação dos oprimidos de todo o mundo: ¡Por movimentos operários revolucionários de mulheres, imigrantes e jovens! ¡Pelo direito a reuniões políticas de oprimidos nas organizações de massas e seus movimentos! ¡Abaixo todas as formas de aristocratismo. Reconhecimento ao papel importante que jogam os oprimidos na luta pela libertação da classe operária! Igualdade de direitos para os imigrantes! Não ao controle de imigração nos países imperialistas! Igualdade para os imigrantes e as minorias nacionais na educação e administração pública! Abaixo as capitulações da esquerda reformista ao chauvinismo imperialista (por exemplo, CPB, CWI e IMT durante a greve "Empregos britânicos para trabalhadores britânicos" em 2009)! ¡Não à adaptação política do feminismo e do nacionalismo! ¡Não o ao mau uso do feminismo com o objetivo de capitular ante o imperialismo (como exemplo a reivindicação da CWI, IST, etc. de extraditar a Assange, fundador do Wikileaks, para a Suécia)!


Os revolucionários devem combinar sua participação na luta de classe com um programa para o poder da classe operária. Isto significa a renúncia total ao sonho impossível (como defendem o CWI, IMT) de uma solução pacífica ou um caminho parlamentaria ao socialismo. Significa lutar pela construção de Comitês de Ação de operários, camponeses e pobres, as milícias populares armadas, pela expropriação da classe capitalista e por um governo operário aliado com os camponeses e os pobres das grandes cidades (urbanos) em base a Conselhos e milícias locais. Isto significa preparar a classe operária para a insurreição armada, a guerra civil e a ditadura do proletariado como o único meio pelo qual o proletariado pode avançar na luta por sua libertação.

 

Unidade nos métodos de como lutar pelo Programa

 

Estas são algumas das perguntas mais importantes da luta de classes mundial atualmente. A claridade programática sobre o que fazer e o que não fazer, é básico para a unidade revolucionaria sustentável. No entanto, não é suficiente estar de acordo sobre um programa. Há que saber como lutar pelo programa. Em resumo, o que se necessita é uma coerência no tipo de organização de combate, que é a ferramenta para colocar o programa na realidade com a luta de classes.


Atualmente, está na moda entre muitos dos chamados "marxistas", elogiar e chamar a uma "Unidade de esquerda". Uma "Unidade de Esquerda" representa o contrario ao que necessita a classe operária. A "Unidade de Esquerda" se refere à unidade dos burocratas e operários, dos partidários e oponentes às guerras imperialistas, dos partidários do pacifismo, do caminho parlamentar como via revolucionaria. Em resumo, a "Unidade de esquerda" é a unidade para paralisar as atividades revolucionarias, pelo que é uma unidade inútil. O que necessita a classe operária é um partido revolucionário de combate e que deve declarar-se abertamente.


No entanto, isto não significa que os revolucionários devem ignorar o aparecimento de novas formações políticas. Um novo Partido que represente os setores de trabalhadores e oprimidos que buscam una ferramenta política para lutar por sua libertação, é um importante passo adiante. Isto é certo inclusive se na direção desse Partido existem burocratas de esquerda. Os revolucionários autênticos poderiam unir-se a novos Partidos com estas características, lutar abertamente por seu programa revolucionário, argumentar pedagogicamente com seus irmãos de classe que pudessem ter algumas deficiências políticas mas que são honestos e combativos. Tratar-se-ia de salvar a estes trabalhadores das manobras inúteis de seus líderes.

No entanto, é algo completamente diferente se a criação de um novo Partido se anuncia integrada de velhos, moribundos reformistas e centristas de esquerda ou estudantes universitários liberais para clamar por uma "Unidade de Esquerda" como um passo adiante para a classe operária. Em vez de adaptar-se de forma oportunista a tais delinquentes, os revolucionários devem lutar fortemente contra esta farsa.


Sem dúvida, não podemos limitar-nos atualmente a fundar um Partido verdadeiramente revolucionário e internacional. Para esta tarefa, somos demasiado pequenos em número e não está suficientemente enraizado na classe operária. Mas as grandes conquistas na historia da humanidade nunca são dádivas do céu, elas se conseguem mediante o trabalho duro e sistemático. A formação de uma unidade internacional organizada de operários e oprimidos decididos, em base a um programa comum e a um entendimento comum dos métodos práticos e organizativos, é o requisito mais importante para construir uma nova Internacional revolucionaria.


Esta nova Internacional será a quinta tentativa na historia do movimento operário revolucionário. Já temos visto quatro Internacionais revolucionarias no passado: A I Internacional de Marx e Engels, a II Internacional até 1914, a III Internacional fundada sob a liderança de Lenin até sua degeneração estalinista em 1924 e IV Internacional liderada por León Trotsky. No entanto, desde a degeneração centrista da IV Internacional, a Classe operária carece de um Partido Mundial da Revolução Socialista. Seja qual seja o nome oficial e o número da futura Internacional, esta deve basear-se em um programa revolucionário para o atual período histórico, assim como nas lições das passadas quatro Internacionais.


Um verdadeiro Partido revolucionário, assim como a organização pré-Partido, deve existir como uma formação internacional desde o principio. Como o programa revolucionário só pode viver, respirar e desenvolver-se em uma organização de militantes revolucionários, só é possível que exista um programa internacional, internacionalismo e solidariedade proletária em uma organização internacional. Sem ela, a centralidade nacional e, finalmente, os desvios nacionalistas são inevitáveis. Não há consciência sem matéria, não há espírito sem corpo.


Contra a tendência anti-leninista do liquidacionismo que está atualmente tão em moda entre a intelectualidade pequeno-burguesa e a esquerda centrista, o CCRI reafirma a validez das lições do bolchevismo −a necessidade de construir organizações de vanguarda e Partidos que lutem por um programa revolucionário entre os trabalhadores e oprimidos baseado nos princípios do centralismo democrático−. Ditos Partidos revolucionários e organizações pré-Partido devem orientar-se e ser formados dentro dos setores médios baixos da Classe operária e dos oprimidos. Rechaçamos a orientação da maioria das organizações centristas através dos intelectuais de classe média, assim como a burocracia e aristocracia sindical.


Camaradas, estamos vivendo em um período tão complexo, tempestuoso, que é tão rico em constantes mudanças . É um tempo para superar a rotina e dar passos audazes para frente!O CCRI chama a todos os lutadores pela libertação da classe operária e dos povos oprimidos de todo o mundo a unir forças na luta para construir novos Partidos revolucionários e uma nova Quinta Internacional dos Trabalhadores.

 

¡Não há futuro sem o socialismo!

¡Não há socialismo sem revolução!

¡Não há revolução sem Partido revolucionário!

 

Para um mais amplo panorama geral dos pontos de vista do RCIT, a aqueles que estejam interessados:

* Programa do CCRI: El Manifiesto Comunista Revolucionário, www.thecommunists.net/RCIT-manifiesto

* La situación mundial y las tareas de los bolcheviques-comunistas (Marzo 2013), www.thecommunists.net/theory/world-situation-march-2013

* ¡Trabajadores y oprimidos del mundo, uníos en la lucha por la liberación! Día del Trabajador 2013 Declaración de la RCIT, www.thecommunists.net/rcit/mayday-2013-greetings

* Michael Pröbsting: El gran robo del Sur. Continuidad y cambios en la superexplotación del mundo semicolonial por el capital monopolista. Consecuencias para la teoría marxista del imperialismo. Más detalles de este libro publicado recientemente en www.great-robbery-of-the-south.net

 

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