Brasil: A PRISÃO DE LULA É UMA OUTRA ETAPA NO PROCESSO GOLPISTA

Construir comitês de Luta! Mobilizações de Massa contra os Conspiradores Golpistas! Mas Nenhuma Confiança no Governo Pró-Austeridade do PT/PMDB!

Declaración de la CCR (Seção do RCIT no Brasil), 9 de março de 2016, http://elmundosocialista.blogspot.com

 

 

 

1.            Sexta-feira, 4 de março, 2016, um dia para ficar na história. Policias federais foram até o apartamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na cidade de São Bernardo do Campo, para detê-lo e levá-lo ao aeroporto de Congonhas, onde, dependendo das circunstâncias, poderia ser enviado ao Estado do Paraná perante o juiz federal Sergio Moro, em que possivelmente a essa hora já estaria preso por tempo indeterminado. O imenso aparato militar garantiu um verdadeiro reality show político para alegria da imprensa golpista, dos setores políticos de direita fascista e da raivosa classe média. Um espetáculo montado deliberadamente por ordem do juiz federal Sérgio Moro, nossa versão nacional do senador americano Joseph McCarthy, de triste memória na história americana.

 

2.            Lula da Silva só não enviado de Congonhas à prisão do Paraná porque as multidões saíram em seu apoio nas várias capitais do país. Em São Bernardo houve enfrentamento entre grupos de direita e militantes pró-Lula transmitidas ao vivo pelas redes de televisão, causando um choque emocional em rede nacional. Durante o dia as manifestações foram se repetindo. No aeroporto de Congonhas, o que deveria ser a primeira escala da prisão era tanta gente que a polícia federal tratou de esclarecer que “não é uma prisão, é somente uma investigação de rotina para esclarecimentos! ”.

 

3.            Para levar Lula para prestar depoimento, foi usada a “condução coercitiva”. Uma arbitrariedade jurídica e uma ilegalidade usada agora contra Lula, mas que já vinha sendo usada contra vários políticos e empresários principalmente ligados ao Partido dos Trabalhadores-PT. A definição legal para “condução coercitiva” está prevista em lei para levar à força aquele se negar a prestar um depoimento de forma voluntária ao ser intimado, o que não foi o caso do ex-presidente, pois não foi sequer intimado. Tratou-se simplesmente de uma demonstração de força da direita golpista com apoio do judiciário, da mídia com especial destaque para as Organizações Globo, tendo como atores principais os “bons moços” da polícia federal e o “vilão” sendo Luís Inácio Lula da Silva. O tiro saiu pela culatra. Lula da Silva mostrou que ainda possui um largo apoio da população mais humilde, dos movimentos sociais e do movimento sindical.

 

4.            Lula fez críticas à atuação do Ministério Público Federal e do juiz federal Sérgio Moro, que autorizou a operação da PF. O ex-presidente chamou de “show pirotécnico” a atuação da Justiça no caso. “Lamentavelmente preferiam usar a prepotência, a arrogância, o show de pirotecnia. É lamentável que uma parte do Judiciário esteja trabalhando com a imprensa”. O ex-presidente da República reiterou que não se nega a depor à PF, e que bastaria um convite. Em tom de ironia, disse que “a partir da semana que vem, quem quiser um discursinho do Lula, é só acertar passagem de avião, de ônibus não porque demora muito”, que ele estaria disposto “a andar pelo país”. O ex-presidente disse ainda ter se sentido “ultrajado” e “magoado” com a ação da Polícia Federal. Ele acrescentou que o episódio serviu para “levantar a cabeça” do PT, que “há muito tempo está de cabeça baixa”. Indicando que poderá ser candidato a presidente em 2018 emendou “Para me derrotar vão ter de me enfrentar nas ruas”.

 

O processo Golpista e a posição do CCR-seção nacional do CCRI

 

5.            Não há garantias nenhuma de que Lula poderá ser candidato em 2018, assim como não há garantias de que a própria presidente termine o seu mandato faltando quase dois anos, haja vista o processo de impeachment em andamento. Como já afirmamos em documentos anteriores, existe um processo golpista no Brasil patrocinado pelo imperialismo americano e europeu. A luta do judiciário e da imprensa golpista não é a luta contra a corrupção e muito menos contra o suposto comunismo dos governos do PT.  De acordo com o nosso documento de 13/08/2015*1 “O que está em jogo, muito mais do que a corrupção,  é a pressão do imperialismo e da burguesia nacional , entre muitas outras coisas, para os  seguintes projetos: a privatização total do Pré-Sal, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da implantação total  do contrato da terceirização (projeto 4330 do congresso nacional), de implantar restrições ou mesmo eliminação  aos direitos de férias, décimo terceiro, Fundo de Garantia, licenças maternidade, etc. Tal amplo  e brutal projeto de ataque é muito mais  do que os governos petistas poderiam realizar sob pena de perder completamente sua base de apoio social nas massas trabalhadoras e é isso que explica o movimento golpista.”.

 

6.            Numa concretização do golpe todos os grupos e movimentos de esquerda (ou considerados de esquerda), todos os movimentos sociais, organizações de bairros, partidos políticos progressistas, movimentos grevistas, sindicatos, todos de alguma forma sofrerão na pele o avanço da repressão semifascista. Porém, é necessário deixar bem claro: Nós não apoiamos o governo de Frente Popular do PT/PMDB. Devemos combater não só o movimento golpista, mas também as duras medidas de ataques feita pela presidente Dilma Rousseff, tais como a entrega do pré-sal e a nova reforma da previdência.

 

7.            Nós insistimos em reafirmar a nossa declaração de que “acima de tudo, contra o golpe é urgente a necessidade da população trabalhadora e dos oprimidos em se organizar para enfrentar a ameaça golpista. A ameaça do golpe não será derrubada através de acordos parlamentares ou manobras jurídicas. É a população trabalhadora e a juventude da periferia e dos sertões em todo o país que deverá fazer esse combate. É preciso se organizar em comitês de luta nos locais de trabalho, nos bairros, nas favelas e formar comitês populares contra o golpe. ”

 

8.            Chamamos a CUT, a Frente Popular de Esquerda, o MST, os setores militantes do PT e de outras organizações de massa a realizar um congresso nacional dos delegados o mais rapidamente possível. Tal democrático congresso deve discutir e decidir um plano de luta contra os golpistas para uma ação imediata.

 

9.            É necessário que as organizações operárias e populares rompam com o governo de Frente Popular PT/PMDB para se organizarem e lutarem independentemente dela."

 

10.          Além de tudo é necessário construir um verdadeiro partido revolucionário de trabalhadores como parte de um Partido Mundial da Revolução Socialista

Não ao golpe do impeachment e nem a convocação de novas eleições!

- Mobilizar as massas a irem às ruas contra as medidas de ataques do governo Dilma e ao mesmo tempo contra o processo golpista!

- Mobilizar para uma grande manifestação antifascista no dia 13 de março!

-Criação de Comitês de Luta nas fábricas, nos bairros, nas favelas, nas periferias, nos sindicatos em defesa dos nossos direitos e contra qualquer movimento golpista! Por mobilizações de massa contra os conspiradores! Mas nenhuma confiança no governo pró-austeridade do PT/PMDB!

 

(1) http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/contra-golpe-fascista/

http://www.cartacapital.com.br/blogs/parlatorio/instituto-lula-e-alvo-de-ataque-a-bomba-assista-1529.html

http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/manifestacoes-golpistas/

http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/may-day-statement-2015/

http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/panfleto-29-5-2015/

http://brasilescola.uol.com.br/historia-da-america/macartismo.htm

 

 

 

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